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Todo dia, era día de índio.

Davi Kopenawa Yanomamô

Em junho/julho de 1993 fomos surpreendidos com a notícia de que uma aldeia Yanomani de Roraima (Haximu) havia sido dizimada por garimpeiros. Com a roupa do corpo -depois enviamos a mala, nos disseram, Américo Martins e Eu partimos para nossa aventura na selva amazônica. Fomos para Manaus num vôo de carreira, em seguida um jatinho alugado pelo jornal Folha de S.Paulo nos levou para Boa Vista onde chegamos por volta das 22:30h, na manhã seguinte  aterrissamos de teco-teco   em uma  ”pista” aberta entre árvores em pleno “pulmão do planeta” num posto da Fundação Nacional de Saúde, do nada índios Yanomamis (a foto ao lado) pintados de preto (pintura de guerra) surgiram do meio do mato e eu sem saber direito o que estava acontecendo, com a mesma roupa de ontem (lembra), de “jet bode” no meio de um bando de jornalistas e índios comecei a fotografar (nesse caso – atire antes, pergunte depois). Alguns pilotos que levaram os jornalistas se encarregaram de levar os filmes para Boa Vista, onde uma outra equipe (sim, cada veículo de comunicação enviou pelo menos duas equipes de poetas e lambe-lambes) que se encarregaria de revelar e enviar o material para as matrizes. Confiei no “meu” piloto, dei sorte, alguns colegas confiaram em outro repórter que retornaria a Boa Vista, que num caso raro de amnésia temporária, esqueceu de entregar a encomenda, só lembrando dos pacotes 22h, depois do fechamento dos jornais e de ter  sua matéria levada ao ar. A equipe da Folha ida de Manaus contava com um fotógrafo que tinha um nome diferente, Lotaif, se não me engano e como soava algo como Leafax, essa coisinha simpática abaixo usada para transmissão de fotos, foi como o chamamos a partir de então, o irônico é que apesar do nome ser parecido (em  nossas mentes distorcidas) , ele não sabia transmitir fotos. Entrou em cena a lei do menor prejuízo entre os concorrentes: “a gente cede a foto pra eles e o fotógrafo deles transmite a foto pra gente”, que tal? Assim foi, o fotógrafo do jornal O Globo, Gustavo Miranda transmitiu as fotos para os dois jornais e até que o repórter responsável em levar o material dos outros colegas para Boa Vista se recuperasse de sua amnésia, esses dois jornais (Folha e Globo)  se salvaram e conseguiram publicar imagens da aldeia.

Leafax 35, nossa companheira de 17kg nas viagens.

Ainda com a mesma roupa lavada no rio, secada ao sol (+ou-) dormindo (+ou-) em uma rede por uns dias (não me lembro ao certo quantos) voltamos para Boa Vista e por 20 dias ficamos voando naqueles “aeromodelos” entre a cidade e a floresta, descendo em pistas com pelo menos meio metro de mato e a alguns palmos das árvores.

Nossas malas nunca chegaram então vamos às compras, entre camisetas, cuecas, uma calça e meias tique que explicar um par de chuteiras entre nossas aquisições, não, não faziamos um treininho após a cobertura do dia, é que descobri que o melhor calçado para se andar no solo umido, escorregadio e irregular da floresta, a chuteira é o melhor calçado e podem perguntar aos “repórteres rolantes” que nos acompanharam.

O enredo todo ficará para uma outra vez mas o mais bizarro talvez tenha se dado em minha última incursão até a aldeia de Homoxi (Amazonas) onde encontraram alguns dos indios que fugiram de Haximu, que ali chegaram cruzando a Venezuela. Descobri que é possível fazer avião pegar no tranco,  isso mesmo, o avião que nos levou que era pilotado pelo Marreco, neste dia foi pilotado pelo Capitão Gay, inexperiente com a aeronave, que deixou o avião morrer ao pousar em Homoxi e como num filme de Herzog, a imagem insólita não me sai da cabeça:  alguns índios o antropólogo Bruce Albert e o repórter Efrém Ribeiro puxando uma corda enrolada na hélice do avião para fazê-lo pegar. E quando finalmente no ar voltando para Boa Vista o piloto olha pra baixo e diz em tom animado: – Foi aqui que eu cai da outra vez, eu deixei o medo de voar de lado e comecei a fotografar os raios da tempestade à nossa frente.

Além das histórias acontecidas nesses 20 dias de convivência com índios, jornalistas, antropólogos, militares, policiais federais, descobri dois livros que contam parte dos acontecimentos, porque até hoje existem inúmeras versões e números desencontrados sobre este episódio da nossa história.

“A coisa mais importante para os brasileiros é inventar o pais que nós queremos” – Darcy Ribeiro

A queda do céu de Bruce Albert e Davi Yanomami, aqui

A queda do céu - Palavras de um xamã Yanomami - Bruce Albert

Ianomâmis, um destino trágico - Tomoko Shimamura

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Entre pixels e cevada.

O pixel e a tulípa.

Agora podemos discutir tecnologia da imagem nos botecos com a desculpa de que estamos atrás de material para demonstração.

Dr. Joachim Linkemann da Basler AG (Alemanha) faz uma interessante analogia entre o pixel e um copo de cerveja e de maneira didática explica vários conceitos que assombram a imaginação dos fotógrafos.

Veja a matéria:

Sensors and Beer

Para baixar o pdf do artigo na íntegra:

Advanced camera and image sensor technology

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Canon Canada suspende entrega das 5D MkIII

Por erros de medição no fotômetro da nova câmera 5D Mk III sob determinadas circunstâncias de luz, a Canon Canada suspendeu a entrega das novas câmeras até que o problema seja solucionado:

Leia mais

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Cinema 4K em nova câmera dslr da Canon

Nova Canon 1D c videos em 4K

A nova Canon 1D c anunciada hoje pela Canon como parte do desenvolvimento de equipamentos para Cinema EOS : 18.1-megapixel full-frame 24mm x 36mm Canon CMOS sensor, e video em resolução 4K (4096 x 2160-pixel).

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“Joy Ride” – D800

Video feito para a Nikon com a recém-anunciada D800

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O encontro

Está no catarse nosso projeto de curta “O encontro”. Assista ao teaser e colabore:

http://catarse.me/pt/projects/521-o-encontro

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Foto & Fogão

No ar o novo site da Foto&Fogão, confira:

Foto&Fogão

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Bin-jip I (Casa Vazia)

Bin-jip I (Casa vazia) – 2004

Direção: Kim  Ki-duk

Vago.

Storyline: Jovem invade casa durante ausência de seus donos e desfruta durante alguns dias.

Kim Ki-duk tem uma maneira interessante de construir seus filmes mais recentes no que diz respeito à imagem, seus protagonistas raramente falam o que cria a necessidade de desenvolver a narrativa a partir das imagens e da voz emprestada de outros personagens.

Em Casa vazia um jovem Tae-suk (Hyun-kyoon Lee)  usa de um artifício para saber quando os donos da casa estão fora e se estabelece durante alguns dias usufruindo do que há na residência. Ele tira proveito do que a casa oferece: comida, bebida, roupa etc. mas também faz pequenos consertos de objetos quebrados, lava a roupa da casa (a mão) e se fotografa  diante das fotos dos moradores da casa juntando sua imagem às imagens das famílias que moram ali. Ele se integra à vida das pessoas  que habitam cada lugar ao comer a mesma comida, beber , tomar banho , usar objetos de uso pessoal, ele vive a vida de prazer, conforto ou desconforto dos donos desses objetos.  Tae-suk  mantém uma  relação muito peculiar com as casas  que ocupa, não se trata simplesmente de invadir e se apropriar  do espaço e objetos  de maneira vulgar, todas as atividades que realiza durante sua estadia são delicadas e ritualizadas.

Em uma das casas, ele não percebe a presença de uma jovem mulher, Sun-hwa (Seung-yeon Lee), uma bela dona de casa que está com o rosto machucado, pois havia apanhado do marido. Ela o observa durante um tempo sem que Tae-suk se dê conta. Quando  ele finalmente a  vê deixa a casa constrangido, depois de um tempo decide voltar à casa e encontra Sun-hwa chorando no banheiro, Tae-suk prepara um vestido para Sun-Haw, coloca uma música suave e começa a tratar das plantas e outras pequenas coisas da casa. O marido volta e acaba  batendo em Sun-hwa novamente, Ta-suk assite a cena e decide vinga-la atraindo o marido para o quintal e atirando bolas de golfe com um taco iron-3 (de onde o título em inglês: 3-Iron). Os dois fogem e seguem vivendo da mesma maneira, invadindo residências.

Ao se instalar em casas habitadas, embora temporariamente vazias, eles correm o risco de serem surpreendidos, o que acontece duas vezes, na primeira vez um boxeador os surpreende dormindo e da uma surra em Tae-suk depois de constatar que eles não haviam roubado nada deixa-os partir. Em outra invasão eles se deparam com um senhor morto e tratam de seu funeral cumprindo todo o ritual de lava-lo, vesti-lo de maneira apropriada, tudo feito delicadamente. Ambos são surpreendidos pelos filhos do velho e acusados de assassinato, roubo, invasão e sequestro (no caso de Tae-suk), são levados para a delegacia onde Tae-suk é espancado para que confessasse o assassinato do velho e mostrasse onde o havia enterrado, Sun-haw é devolvida a seu marido que tenta sem sucesso reconquista-la.

Para se vingar de Tae-suk , Min-gyu (Hyuk-ho Kwon), marido de Sun-hwa paga ao policial  que o leva a um lugar deserto e deixa que Min-gyu desfira golpes com as bolas de golf da mesma maneira que Tae-suk havia feito com ele. Tae-suk ataca o policial e vai para a cadeia novamente, onde começa um estranho treinamento usando uma técnica de se esconder atrás do carcereiro  e tornar-se “invisível”. Para que isso dê certo ele tem que sentir exatamente a intenção do outro e se movimentar de maneira a estar sempre nas costas da pessoa de quem ele pretende se esconder.

O começo do treinamento

Me escondo onde você não enxerga.

A partir daí, Kim Ki-duk propõe um jogo que mantém durante todo o filme sobre a questão da imagem, da identidade e do poder de ver/enxergar ou não.  A imagem é o meio mais utilizado de se reconhecer a identidade de alguém, e ao mesmo tempo ela extrapola, perverte significados, o olho desenhado na mão mostra o caráter sinestésico neste momento do treinamento, a mão nos enxerga, ele vê através do tato. O close/detalhe é o plano mais tátil do cinema, é o fragmento  monumentalizado, utilizado para trazer a sensação do momento mais próximo do espectador e o olho gigantesco na tela nos devolve o olhar que devotamos à sua imagem, ele rompe o limite da tela e nos “diz”:  – Eu te vejo.

Te vejo ou te toco.

“Eu a toquei então eu a olhei de perto, para vocês que enxergam eu a toquei, como sou cego eu a olhei de perto” – Eugen Bavcar,  Janela da Alma – 2001

No momento em que o detalhe do olho desenhado na mão de Tae-suk aparece na tela ele nos faz entrar no jogo de esconde-esconde, rompendo o limite da tela que separam os personagens do espectador, primeiramente a câmera roda na cela procurando por Tae-suk sem encontra-lo. A partir daí, Kim Ki-duk nos empresta a capacidade de ver através dos olhos de Tae-suk, a câmera subjetiva, à maneira dos filmes de suspense, flutua percorrendo os espaços das casas levando-nos à sensação de leveza e  invisibilidade de Tae-suk, do voyeurismo, eu te vejo você não me vê.

Depois de sair da prisão já com seu poder de sentir o outro e se tornar invisível desenvolvido, ele volta a várias casas por onde passou, mas desta vez com as pessoas nela e deixa sempre uma marca de sua presença, brincando com a questão do ver ou não, da casa de um fotógrafo ele subtrai da moldura uma foto de Sun-hwa que estava na parede, deixando-a vazia, em outra casa ele cobre os olhos na foto do boxeador que o batera, roubando-lhe assim metaforicamente a capacidade de enxergar. Alguém sempre sente sua presença embora não consiga enxerga-lo.

Não me vê.

Você não me vê.

O nome do filme (Bin-jip), traduzido como “Casa Vazia”, na verdade significa Vago, o que da uma conotação diferente a tudo o que faz Tae-suk. Vago, significa que existe vaga, existe um espaço a ser ocupado, isso explica um pouco a delicadeza e a maneira ritualizada com que ele se comporta quando entra nas casas, fotografando-se com as famílias, participando de suas vidas de alguma maneira, como se tentasse achar seu lugar entre essas pessoas, o que acaba acontecendo quando ele encontra Sun-hwa, que pode ser entendido como havendo espaço para ele na casa e também na vida de Sun-wha, ele de certa maneira complementa, traz algo que faltava na vida dela, é quando auge do poder de vestir o corpo dos outros se aflora totalmente para Tae-suk. Ele retorna à casa de Sun-hwa mostrando-se apenas para ela, escondendo-se atrás do marido.Tae-suk  que vai se utilizando o outro como sua persona, “habitando” vários corpos (imagens). Ele veste a máscara na qual o outro se tornou, dilui sua identidade nos vários outros, sente o movimento do outro, seu olhar, respiração, tudo. Nos momentos em que a câmera subjetiva aparece (ponto de vista de Tae-suk) são os únicos também em que existe uma trilha sonora além dos sons diegéticos, uma trilha que acompanha o movimento da câmera, no filme todo só existe uma música tocada todas as vezes que eles chegam em alguma casa e ligam o toca CD, sempre de maneira ritualizada, a música é Gafsa* (nome de uma cidade da Tunísia), de uma cantora e compositora belga que canta em árabe, Natacha Atlas.

Sun-hwa olha para o marido (máscara) e fala pela única vez no filme todo –“Eu te amo”, o marido sorri, enquanto Tae-suk atrás do marido sabe que é para ele o que  Sun-hwa disse.

Eu te amo

Durante todo o filme Kim Ki-duk vai mexendo nas imagens do filme, seja desconstruindo algumas no cenário do filme ou mexendo com as camadas entre máscara, identidade e sombra dos personagens principais. Tae-suk vai treinando para se tornar uma entidade capaz da invisibilidade  de assumir e viver a vida de outros, fosse no início com a utilização dos objetos das casas que invadia, seja mais no final quando pode andar onde bem entender sem ser notado, mas mesmo assim existe uma cena onde ele mais uma vez quebra esta lógica quando ele está na casa de Sun-hwa. Ela sabe que ele está ali mas não o vê e sabendo que ele está atrás dela abre os braços e vai andando de costas até prende-lo contra a parede e aí existem 3 níveis de identidade e imagem, quem é máscara de quem?

desmaterializado

0Kg, não há vaga.

Quando o marido sai os dois se encontram sobem numa balança que marca 0Kg, estão livres de todo peso, desmaterializados e ao mesmo tempo completos. Não há mais vaga e um pinot noir vai muito bem.

*Gafsa

Natasha Atlas

Habet Riyahel Hobi fi bali

*The breeze of romance started blowing in my mind

Tahdeeni Salam el habib X2

*Present me with the peace of my sweetheart.

Tigouli ‘Erja3 ya Ghali

*You will say ‘Return my precious,

Ta3lel fourag wal il gharib’ x2

*Forget the separation and the strangeness.’

Goulet Hayali “Sharadat Hali,

*My imagination will say ‘I wonder aimlessly,

Wa gounet manali sa3eed.”

*And my ambition will be happy.”

Wa ttalet min bourja3 il 3ali,

*And she appeared from the high towers,

Wou Galet Kilamah Ghareeb…

*And said strange words…

“Erja3 ya Hobb,

*Return my love,

Mali fi dounya naseeb.

*I don’t have luck (destiny) in this world.

Inta hobi lakin,

*You are my love then,

Mish moumkin tkouni halali.”

*But it is impossible that you will be mine.

Ah lel

*Oh night

Ya 3ayni, ya.

*Oh my eye, oh (Arabic term of endearment.)

Khalas

*it is Finnished.

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70 anos do ataque a Pearl Harbor

O Photo Blog do Denver Post publica uma série de imagens do ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941.

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Um danoninho não vale por um bifinho!

Video feito para o Prêmio Folha Empreendedor Social 2011 com Gisela Solymos, ganhadora do prêmio e diretora do CREN (Centro de Recuperação e Educação Nutricional).

Veja o vídeo: CREN

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